Vida de verdade, na universidade
>> domingo, 31 de agosto de 2008
Paulo estava cansado, com a cabeça a ponto de desligar. Encarar as pesquisas de mestrado após um dia louco no trabalho estava acabando com sua sanidade. Já não era mais um garoto, embora lhe adjetivassem "boa pinta". Caminhando pelos corredores lotados, tentava administrar os pensamentos, parte profissionais, parte pessoais, clamando pelas merecidas férias que lhe haviam prometido há pelo menos 4 anos.
O destino tem caprichos, e vez que outra coloca pessoas no mesmo caminho, por mais improvável que seja. Na saída da universidade, Paulo vê aquela mulher linda, deseja beijar seu pescoço, acariciar suas costas com volúpia, despi-la, primeiro com os olhos, depois com a boca. Neste momento, seu sistema nervoso entra em colapso, sente o coração pulsando com a força do Hard Rock, e energia do Heavy Metal, e a sensualidade envolvente do Jazz, tudo ao mesmo tempo.
-Oi...
-Ahammm, te achei.
-Quanto tempo heín.. hshsh
-Poisé.
-Tá linda,
-Se tu diz..
-Quer carona, mestrando?
-Todos os dias da minha vida, doutoranda.
-Então vamos,
-Me dá um abraço.
Era uma bela mulher, muito por suas atitudes, sua força. Tinha algo de triste, mas os grandes olhos demonstravam alegria quase infantil, quando alguém lhe atendia os simples desejos. Paulo olhava para Clarissa como se fosse a primeira vez, e em silêncio recordava o primeiro toque que os havia unido, perguntando-se como poderia haver tal conexão. As reclamações dela contra o trânsito caótico, só aumentavam a vontade dele, de agarrá-la com força, tascando um longo e delicioso beijo, de percorrer aquele corpo, como se fosse a primeira e última vez.
Haviam chegado ao destino, quando envolvido pela situação, Paulo não resistiu e cheirou o pescoço de Clarissa, passando a boca de leve pelo rosto delicado da mulher, até encontrar sua boca, até encontrar paz, até ser novamente completo. Neste momento, esqueceu tudo, eram apenas os dois, únicos.
Paulo viu o movimento no interior da casa, e preferiu tocar a campainha. Atendeu uma menina sorridente, com seus 18 anos, era aquele o abraço mais terno, o sorriso mais doce.
-Namorada nova é?
-Hã?
-Você não perde o charme né pai!
-Capaz, nem sei...
-Sabe sim...
-Dá cá outro abraço Lú.
-Vou aproveitar enquanto a mãe guarda o carro!!
Neste momento, Clarissa entra pela porta da cozinha. Vendo os dois amores de sua vida naquele abraço lindo, apenas observa, realizada. Rapidamente os dois a percebem, e a incorporam naquele abraço de saudade, celebração da família. Passados os trâmites de chegada e uma breve refeição, Paulo e Clarissa trocam olhares de "vamos subir...?". Depois de uma desculpa qualquer, beijam a filha, desejam boa noite e rumam para o quarto.
Neste momento, Luísa vê os dois subindo os lances da escada, trocando olhares de desejo e carinho, apaixonados ainda. Nesta hora a menina (apenas para o pai), reflete sobre suas paixonites e desilusões, mas sente que há um sentido maior, que é possível a vida a dois, mesmo com tantos encontros e desencontros.
Neste momento Luísa pega o violão surrado, e toca uma canção antiga.
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Quem um dia, já não agiu por impulso? Basta um fato motivador, algo que pegue de jeito, e bingo! Quando as estruturas do raciocínio são abaladas, o sujeito perde a razão, e faz certas coisas que não são muito "normais" em seu comportamento habitual.












