A mesmice dos cadernos de Cultura
>> segunda-feira, 23 de março de 2009
Caros amigos, algo me perturba. Alguém já percebeu o que se tornaram os cadernos e/ou editorias de cultura dos principais jornais do Rio Grande do Sul? A parte do jornal que deveria falar de manifestações que são os retratos de nossa época, hoje se reduz a uma chata previsível agenda cultural.
A constatação é fácil, basta abrir os periódicos
Tenho diante de mim Zero Hora e Correio do Povo (O Sul foi banido da pesquisa), sinceramente, me sinto enganado. No Correio, o que seria o caderno de cultura chama-se "Arte e Agenda". As iniciais são validas, pois até reunião do AA deve ser mais interessante que ler estas páginas. Na verdade, seria mais honesto para com o leitor, chamar esta editoria de "Agenda e fofocas". Arte? Não se fala de arte nesse espaço, não se discute arte neste espaço. A arte é apenas mencionada, acontecendo lá longe, nos palcos por aí. Que coisa chata.
Em ZH temos o pomposo Segundo Caderno, que me perdoem, mas poderia ser chamado de Caderno de Segunda, aliás, não me perdoem mesmo. Trata-se de uma agenda cultural que vive às custas do Pepsi on Stage, coluna social, ou shows-releases enviados pelas agendas de notícias, e o que mais mesmo? Acabou.
Por quais motivos?
É difícil entender por que estes grandes jornais, principalmente Zero Hora, com toda sua estrutura, não deslocam repórteres para as ruas, a fim de encontrar as manifestações culturais que estão por aí. Basta observar as pautas para ver que o Caderno é todo feito seguindo a norma do "jornalista sentado". Releases e mais releases, com a adição de algumas festinhas que a galera do jornal frequenta a convite.
O problema da estrutura atual não é a presença dos elementos citados acima, já que ajudam a compor o cenário. O problema é sim, o fato de terem se tornado a base das publicações, quando deveriam ser o complemento.
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5 comentários:
Billy, a coisa não é tão simples quanto parece.
Ok, existe uma certa falta de investimento nessa área, mas aí que te pergunto: será que a maioria do público do jornal está, realmente, interessada em algum conteúdo mais analítico do que é cultura e arte?
A grande parte dos leitores, acredito, no máximo folheia esses cadernos justamente para não ter que entrar na internet, acessar um site e pesquisar em qual cinema está tendo o filme do momento.
Outra questão é a seguinte: tu sabes muito bem que nós, jornalistas, temos cada vez mais tempo curto. Cinco, dez pautas por dia. Por mais que um jornal tenha estrutura física, de pessoal é cada vez mais baixo. Se eles já enxugavam antes da crise, imagina agora.
E também, claro, existe a falta de jornalista especializados em áreas específicas do que consideramos cultura. Falta alguém com boa base de música pra escrever algo, assim como teatro, cinema.
A questão não é simples, como penso que acreditas ser. Ok, existe uma possível falta de vontade, mas acredito que falte mesmo é público. Para estes, acredito, existem os veículos especializados.
E meu blog é www.etceteraetal.com. Que cacete isso aqui... =P
A situação não é nada simples, e não estou falando somente de cultura erudita.
Muitas das pautas colocadas na editoria de Geral, ou Comunidade, deveriam ir para o caderno de cultura.
Outra: É papel do jornal e dos jornalistas, apresentarem pautas de leitura convidativa, para qualificar seus leitores, convidando as pessoas a se informarem mais sobre determinados temas.
Estou completamente ciente das dificuldades produtivas que enfrentamos, as sinto na pele, mas isso não é justificativa para a ZH, por exemplo.
Não é na nossa justificativa idealista. Agora, empresarial, o buraco deve ser mais embaixo.
Entendo o que queres dizer sobre as pautas convidativas e em lugares até certo ponto equivocados. Porém, é como eu te disse: pouca gente lê os cadernos especiais - salvo esportes, quando tem - e, por isso, colocam no geral notas que poderiam ser melhor analisadas nesses cadernos culturais.
Repito: pra conseguir fazer um caderno decente, é preciso ter pessoas especializadas nos mais variados assuntos. Porém, por causa do enxugamento e dessa besteira de "fazer mais com menos", criou-se uma idiotice de que "jornalista tem que saber de tudo" em vez de "saber de tudo, porém de determinada área".
Não são poucos os jornalistas - e, lógico, as fontes - que reclamam da falta de profissionais especializados para determinadas áreas. Nas entrevistas que fiz pra minha monografia isso ficou claro. Porém, entra naquela questão: se é pra ser especialista, precisa ser jornalista?
As universidades não pregam que a gente tem que saber de tudo, e bastante? Assim fica dificil ter um profissional decente pra fazer cadernos decentes.
O sol rasga os panos do horizonte
Em pacífico brilho de sua magnitude…
Cadenciado ondular que em mar bronze,
Excelsa beleza no marulhar da virtude!
A rocha na ânsia do dia, bebe sedenta do mar,
Firmada num profundo e desigual chão azul …
Cristalizadas águas reflectem o planar,
Das majestosas e imperais… gaivotas do sul!
Gostava que comigo
Desse asas á sua imaginação,
No… “Portal da rocha… penedo do guincho!”
Um bom fim-de-semana,
Com muita inspiração
E na mente… um sorriso!
O eterno abraço…
-MANZAS-
Nossa, não li tudo o que o rodrigo disse, mas acho q vai na mesma linha do que eu to pensando aqui.
É porque o que é bom não é valorizado. O povo só quer saber de fofoca e coisas inúteis. O que vende jornal é isso, coisas que naõ acrescentam nada.
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